Cleber Benvindo
Mariane Rodrigues e Violeta Araki
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| Inezita Barroso, Adriana Couto sites e revistas especializados são exemplos de áreas onde o jornalista especializado em cultura pode atuar (Montagem) |
Tudo que envolve cultura nos
chama a atenção. As manias, os costumes, as características particulares de
pessoas e lugares. E aproveitando este gosto particular de muita gente surgi na
área do jornalismo especializado o jornalismo cultural.
O jornalismo cultural atua
de forma envolvente. Ele relata os fatos de cultura, seja ela local, nacional
ou internacional. Há um segmento grande de forma e conteúdo através de
revistas, suplemento semanal de um jornal de grande tiragem, periódicos
dedicados a temáticas específicas (artes, música, cinema).
O jornalismo cultural é
amplo e cada veículo faz o recorte á sua maneira, mas como todo jornalismo ele
deve conter a notícia. Jornalismo Cultural,
portanto, deve falar algo novo sobre cultura e a informação precisa ser
importante e/ou interessante para ganhar espaço.
De acordo com RIVERA e
GADINI este tipo de jornalismo situa-se em uma zona heterogênea de meios,
gêneros e produtos que abordam com propósitos criativos, críticos ou de mera
divulgação os campos das artes, das letras, das ciências humanas e sociais,
envolvendo a produção, circulação e consumo de bens simbólicos. O espectro de
alcance deste segmento especializado é amplo sob o ponto de vista formal e de
conteúdo.
Várias características
pertencem a esta área do jornalismo. Uma delas é a sua linguagem dinâmica, onde
no texto é possível se trabalhar com a literatura e deixar a linguagem mais
próxima possível do leitor. Estes detalhes permitem que o texto fique mais
envolvente e atrativo. Um exemplo desse dinamismo é o trecho deste texto . “Rambla. Larga e movimentada, a avenida margeia o Rio da Prata e abraça a
cidade com duas pistas e um generoso calçadão. É nesse parque linear, às vezes
assemelhado à orla carioca, que os montevideanos passam boa parte da vida.
Sozinhos ou em grupo, caminhando ou correndo, de bicicleta ou deslizando em
patins, com ou sem filhos, de dia ou de noite, trazem a cuia de mate na mão e
uma garrafa térmica com água quente abraçada no lado esquerdo do peito. São uns
loucos por mate....”
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| Daniel Piza, uma referência para alunos e pesquisadores sobre Jornalismo Cultural (Folha.com) |
Neste grande campo de
atuação há alguns profissionais que merecem destaque. Entre eles estão Daniel
Piza e Isabela Boscov. Piza era paulistano
e e colunista do jornal O Estado de S. Paulo, onde começou a
carreira em 1991. Advogado, formado no Largo de São Francisco, era escritor,
com 17 livros publicados, entre eles Jornalismo Cultural (2003),
a biografia Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro (2005), Aforismos
sem Juízo (2008) e os contos de Noites Urbanas (2010).
Traduziu títulos de autores como Herman Melville e Henry James e organizou seis
outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira. O jornalista morreu
aos 41 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral em 30 de Dezembro de 2011.
Isabela também se destaca
por ser uma jornalista brasileira especializada em crítica
cinematográfica. Formada em jornalismo
pela ECA-USP, começou a carreira no Jornal da Tarde. Trabalhou também
na Folha de São Paulo e na revista SET, onde permaneceu
até 1999, ano em que chegou à Veja, onde atualmente é editora da
seção Arte & Espetáculo. Ao longo de sua carreira, Isabela já entrevistou
pessoalmente celebridades do cinema como Steven Spielberg, Harrison
Ford e Mickey Rourke
Não menos importante que
estes, outros grandes nomes merecem atenção. Na TV, temos nomes que não
poderiam deixar de ser citados como: Adriana Couto que apresenta o programa Metrópolis
na TV Cultura, Coluna de Nelson
Rodrigues no jornal da Globo, Inezita Barrroso apresentando Viola minha
viola também na TV cultura, entre outros. Não podemos esquecer também os
mestres da área no jornal impresso. Entre eles estão Cecília Meireles, Clarisse
Lispector e Machado de Assis.
O jornalismo cultural nos
permite ousar nas imagens, fotografias e textos. É possível tranformar o
jornalismo em uma arte. Pelo menos é o que pensa a jornalista Cláudia
Junqueira, editora chefe da revista prudentina Très, focada em cultura.Veja a
entrevista:
Por
que se interessou por esta área?
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| Claudia Junqueira, editora-chefe da revista Très (Cedida) |
O jornalismo cultural sempre
me interessou muito. Lia uma média de 3 a 4 livros por mês sempre de assuntos
variados, e queria escrever sobre eles. Desde música, literatura, arte, cultura
em geral. Sempre achei que escrever a notícia nua e crua era a forma menos
intelectual de abordar o jornalismo, e por que não fazer do jornalismo uma
arte?
Como começou?
Comecei editando textos numa
produtora de vídeos, produzia pequenos textos para comerciais de TV e spot para
rádios. Mas posso dizer que meu vínculo com a escrita vem de muito antes, quando
aos 14 ou 15 anos escrevia minhas crônicas. Aos 16 anos, o Sinomar Calmona quis
colocá-las em seu site e assim fui sua colaboradora por mais ou menos um ano.
De lá para cá trabalhei em jornal, revistas, TV, internet e rádio.
Quem quer se dedicar a esta
área deve se atentar a quê?
Ler muito, de tudo!
Principalmente sobre cultura em geral, artes, música, cinema, etc. E se puder
aprender outras línguas, ou ao menos uma segunda língua, acho bastante
importante. Ler poesia é um exercício bastante eficiente para praticar a
escrita de jornalismo cultural. Eu gosto bastante e indico para quem quer
começar na área.



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